“Certamente a Palavra da Cruz é loucura para os que se perdem, mas para nós que somos salvos, poder de Deus para todo que crer”. I Corintios 1: 18-25.
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| Recorte do retrato do Rei Dom João VI. Pintura de Jean Baptiste Debret, 1817. Acervo do Museu Nacional de Belas Artes. |
Há milhares de anos a humanidade tem passado diante de situações extremas que causaram resultados devastadores e sofridos para sua própria sobrevivência. Na era antediluviana, o homem primitivo se espantava de ver a imensidão do céu sem poder entender sua mensagem. No período noaquino, o problema era o tamanho da arca e para que serviria. Após o dilúvio, o fato impressionante foi a torre de Babel acompanhado do episódio das línguas. Daí então, várias coisas extremas se seguiram: No Egito, as pirâmides de Kéops e Miquerinos; na Babilônia, os jardins suspensos de Nabucodonosor; na China, a grande muralha; na Grécia, o colosso de Rhodes; em Roma, o coliseu e em Israel, o Templo de Salomão. Nenhuma destas obras tão imponentes foi tão impactante quanto o sacrifício de Cristo na cruz do Calvário. Então, que se entende por paradoxo? Literalmente, da sua origem grega, { pára= além e Dóksa = opinião}, entende-se por paradoxal aquilo que fica longe da curva do vento, fora da realidade ou longe da nossa compreensão.
Tornou-se uma questão instigante perante o mundo acadêmico secular a história de um poderoso soberano que certo dia atinou para uma situação desastrosa numa terra distante merecendo atenção e ajuda especial. Tratava-se da simples missão de ir resgatar uma pobre ovelha perdida, faminta e cega, caminhando em direção a um abismo. Foi quando perguntou: “A quem enviarei ou quem pode ir por nós?” E o filho respondeu: “Envia-me a mim!” Isaías 6:8. Qual seria o fim daquela ovelha se não houvesse um benfeitor que lhe amparasse, pois as pessoas ao seu redor não se importavam com quem perdia a vida. No dia seguinte logo cedo, o príncipe saiu de viagem e foi viver no meio de uma plebe corrompida e maligna para enfrentar as barbáries de uma corja de assassinos. Argumentos à parte, causou grande inquietação jurídica e filosófica o fato visto como estranho, de que um pai tão amoroso não deu “moleza” para o príncipe mas deixou que ele enfrentasse seu maior rival. O grande acusador, quando soube de sua presença, realizou inúmeras tentativas para intimidá-lo, escarnecendo-o perante a sociedade levando-o perante um julgamento forjado sem que houvesse cometido qualquer penalidade. Nada o desviou de seu propósito. Ele porém sem qualquer desespero demonstrou um caráter humilde e assumiu com amor aquela tarefa, tornando-se o grande redentor das almas enfraquecidas e caídas. O maior paradoxo disto é que ao concluir sua obra ele não fez questão de receber elogios mas deixou o exemplo para ser seguido. Aquele jovem voltou para sua casa sendo acatado pelo Pai e aplaudido pelos anjos que o receberam com grandes honrarias, cantando: “Levantai oh portas as vossas cabeças; levantai-vos oh entradas eternas para que entre o rei da glória...” Salmos 24:7-9.
“Verdadeiramente ele tomou sobre si as nossas enfermidades, e as nossas dores levou sobre si”. Isaías 53:4 / E tendo sido consumado veio ser a causa de eterna salvação para todos os que lhe obedecem”, Hebreus 5:9.
Jose Alcântara da Silva, linguista e escritor


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