Quando o propósito encontra esperança

O relato de Atos 3 apresenta um encontro que transformou não apenas a vida de um homem, mas também a maneira como a igreja aprende a lidar com desânimo, acomodação e falta de propósito. Pedro e João subiam ao templo para orar às três da tarde, a hora da oração. Enquanto eles caminhavam com intenção espiritual, outro homem também era levado para o mesmo local — mas sua motivação era completamente diferente.

Durante quarenta anos, aquele coxo se acostumou a depender dos outros. Ele não ia ao templo para adorar, mas para sobreviver. Enquanto os apóstolos buscavam a presença de Deus, ele buscava apenas uma esmola. Essa diferença de propósito não é apenas histórica; ela é profundamente atual. Hoje, muitos também fazem o caminho até a igreja sem expectativa de mudança, apenas repetindo rotinas que não transformam.

O homem da Porta Formosa já não esperava nada além do mínimo. Sua esperança tinha sido corroída pelo tempo, pelas frustrações e pela dependência constante. Seu olhar se voltou para Pedro e João imaginando receber algumas moedas — mas Deus tinha preparado algo muito maior do que aquilo que ele aprendera a pedir.

Pedro não ofereceu aquilo que o homem desejava no momento, mas aquilo que realmente precisava. Em nome de Jesus Cristo, ele declarou cura, levantou o homem pela mão e rompeu um ciclo de quarenta anos de limitação. O impacto foi imediato: seus pés e seus tornozelos se firmaram, ele se colocou de pé e, pela primeira vez na vida, entrou no templo saltando e louvando a Deus.

Esse detalhe é precioso: por décadas, ele permaneceu na porta. Mas o milagre não só restaurou seu corpo; restaurou seu acesso, sua dignidade, sua adoração. O homem que antes pedia esmolas agora testemunhava publicamente o poder de Cristo. A transformação espiritual se tornou mais evidente do que a física.

A mensagem desse texto bíblico é clara para todos nós: Deus continua levantando pessoas que já não acreditam na mudança. Ele devolve esperança a quem se acostumou com o mínimo. Ele chama ao propósito aqueles que entraram na igreja apenas para sobreviver. O Cristo ressurreto age no hoje — quebrando ciclos longos, restaurando identidades e conduzindo pessoas de volta à adoração verdadeira.

Talvez alguém esteja vivendo, há anos, a mesma luta, o mesmo padrão, o mesmo cansaço. Talvez, como o homem daquela porta, tenha perdido a expectativa de um recomeço. Mas o texto nos lembra que quando propósito e esperança se encontram no ambiente da fé, Deus se manifesta de maneira extraordinária.

Assim como naquele dia, o convite permanece vivo: levanta-te e anda.
A porta não é mais o seu lugar. A presença de Deus é o seu destino.

Pr Ademir Rodrigues

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