HISTÓRIA: A Evolução Doutrinaria da Igreja Adventista da Promessa


Tem cuidado de ti mesmo e da doutrina. Persevera nestas coisas; porque, fazendo isto, te salvarás,
tanto a ti mesmo como aos que te ouvem. I Tim.4:16

A Igreja Adventista da Promessa surgiu em 24 de janeiro de 1932, quando o pastor João Augusto da
Silveira foi batizado com o Espírito Santo. Nesse ponto, começa a sua história denominacional e
dogmática também, pois a igreja precisava, como organização religiosa, dizer ao mundo a que veio.
Precisava apresentar a sua doutrina, como fundamento da sua crença e da sua fé em Cristo Jesus. A
doutrina bíblica funciona como as colunas de um edifício, que dão sustentação e solidez ao
prédio. O conjunto doutrinário de uma organização mostra o que ela é perante Deus, mediante
os seus ensinos religiosos compatíveis com a verdade eterna das Santas Escrituras.

Falando sobre o valor do ensino religioso firmado na inspiração divina, diz John L. Dagg,
autor do Manual de Teologia:

Quando a doutrina religiosa é considerada como objeto de especulação, a mente não se contenta
com a verdade simples conforme pode ser encontrada em Jesus, mas corre atrás de questões sem
proveito e acaba se enredando em dificuldades das quais é incapaz de desvencilhar-se. Disso é que
resulta o ceticismo de muitos. A verdade que poderia salvar e santificar as suas almas é por eles
intencionalmente rejeitada, por não satisfazer à sua imensa curiosidade e, tão pouco, solucionar
todas as suas perplexidades. Esses agem a maneira de um lavrador qualquer que rejeita a ciência
inteira da agricultura, recusando-se a cultivar o seu terreno, tão somente porque existem muitos
mistérios no desenvolvimento das plantas, os quais ele se sente incapaz de explicar. Se dermos
início à nossa inquirição pela verdade religiosa movidos pelo santo senso do dever e com o
propósito de fazer o melhor uso possível dessa verdade podemos estar certos do êxito. O Senhor
abençoará os nossos esforços, porquanto Ele mesmo prometeu: Se alguém quiser fazer a vontade
dele, conhecerá a respeito da doutrina (Jo 7:17). A medida em que formos avançando, iremos
descobrindo tudo quanto se faz necessário para qualquer finalidade prática; o senso do dever, sob o
qual haveremos de agir, não nos impulsionará para além desse limite. (Manual de Teologia, pp. l e
2).


Vamos destacar três aspectos importantes nessas declarações, para melhor fixarmos o valor
da doutrina:

Objetivo de especulação
Quando se estuda a Bíblia para simples especulação, o resultado positivo é praticamente nulo, pois
a pessoa não quer aprender para o seu benefício espiritual ou para o seu crescimento no
conhecimento, mas busca apenas os seus interesses particulares, procurando, na Bíblia, prova para
os seus desvarios, para as suas preferências. O resultado é sempre o afastamento da verdade e o
esfriamento da fé.

1. A busca da verdade com responsabilidade
Pelo caminho da responsabilidade, o senso do dever aflora, através da demonstração de sede e
desejo ardente de conhecer a Palavra como fonte perene do ensino puro e salutar, para produzir uma
vida cristã segundo a vontade de Deus aos seus filhos. A Igreja de Beréia deu esse exemplo de
responsabilidade, na busca e na confirmação da doutrina. O texto de Atos 17:11 é uma bandeira que
deveria tremular em todos os lares cristãos:

Ora, estes de Beréia eram mais nobres que os de Tessalônica, pois receberam a Palavra com toda
a avidez examinando as escrituras todos os dias para ver se as cousas eram de fato assim. A
nobreza daqueles irmãos apareceu exatamente pela atitude correta de estudarem a Palavra para
confirmação dos seus ensinos. É assim que o crente cresce em Cristo e no conhecimento santo do
evangelho.

2. A autoridade da Bíblia
Em questão de fé e doutrina, a Bíblia é realmente a única autoridade. E ela que apresenta a verdade
pura, sempre a verdade. Há pessoas que, num confronto sobre assuntos de doutrina, apelam para os
seus guias religiosos: "O meu pastor disse isso ou ensina-me assim". O que deve interessar à pessoa
é: como ensina a Bíblia. A esse respeito, Paulo já dizia: Tudo o que dantes foi escrito, para nosso
ensino foi escrito, para que pela paciência e consolação das Escrituras tenhamos esperança (Rm.
15:4). Sendo, portanto, a doutrina bíblica o fundamento da fé, é possível provar, na igreja, uma
evolução espiritual sustentada e direcionada pela verdade, na unção do Espírito Santo.

3. O ensino fundamental aos novos conversos
Na comissão de Jesus aos discípulos, registrada em Mt 28:19 e 20, encontramos o processo da
evangelização e do discipulado: pregar o evangelho para trazer as almas a Cristo é o primeiro passo
do trabalho religioso; ensinar a guardar todas as coisas, o segundo passo. Assim, a pessoa vai iniciar
uma carreira cristã orientada pelos santos ensinos, aprendendo a andar na presença de Deus, com
idoneidade cristã e com a certeza de que está praticando a fé em consciência da verdade. Eis por
que a igreja precisa ter o seu conjunto dogmático organizado: para dar o ensino de maneira
sistematizada, seguindo um roteiro, através do qual a doutrina vai sendo ministrada, na sua
evolução natural. Esse processo, pelo qual os recém-convertidos a Cristo passam, é como o da
criança, que, ao nascer, começa a alimentar-se do leite materno; alguns meses depois, de um tipo de
alimento bem leve, e, à medida que vai crescendo, passa a ingerir um alimento mais sólido, até a
idade adulta. (I Pé 2:2). Assim, a doutrina fortalece a fé e dá firme convicção ao crente. Observa-se,
com freqüência, pessoas que passam ou passeiam de igreja em igreja, com uma facilidade incrível.
Por que acontece isso? Só há uma resposta plausível: a falta de convicção na doutrina. Ao contrário,
se o crente é firme, os ventos de doutrinas estranhas e contraditórias podem soprar, mas ele fica
inabalável, porque confia na autoridade divina da Palavra que lhe ensinou a verdade.

Os primeiros pontos da fé
A Igreja Adventista da Promessa tem o seu corpo doutrinário definido, desde que surgiu, em 1932.
No início, esses pontos de fé estavam reunidos em um pequeno livreto com o número de 24;
tratavam das doutrinas fundamentais da crença da IAP e eram usados para ministração de estudos
aos novos conversos Na Escola Bíblica, havia a Classe Batismal. A ela, eram enviados os novos
crentes e os jovens adolescentes das famílias promessistas. Nessa classe, o professor passava os
ensinos religiosos-doutrinários aos alunos, preparando-os para o batismo nas águas. Com esse
procedimento, a pessoa descia às águas com a convicção da doutrina ensinada pela igreja.
Como bom resultado dessa prática, a igreja cresceu de modo homogêneo, doutrinariamente.
Isso fez e faz da IAP um povo forte espiritualmente. A Igreja teve lutas na defesa da doutrina,
porque sempre apareceram os contraditores, que se tornam exploradores do evangelho e
deturpadores da verdade, mas a igreja venceu essa batalha, porque está escudada na Palavra de
Deus, que é inspirada e verdadeira.

Os 24 pontos de fé serviram ao ensino da IAP, durante quase duas décadas. O progresso, em todos
os aspectos, foi sempre um alvo da igreja. No sentido doutrinário, esse progresso também esteve
sempre presente.

Surge o Doutrinal.
Outros assuntos vieram a enriquecer o conjunto doutrinário. Entre o surgimento do Doutrinal os 24
pontos, foi elaborado um livreto intitulado: Trinta Pontos Básicos de Nossa Fé. Como é possível
observar, em fins da década de 50, a evolução doutrinária já era realidade. Por isso, por decisão da
Assembléia Geral, ficou determinado que os Trinta Pontos de Nossa Fé fossem escritos em forma
de lições, com o nome Doutrinal A responsabilidade de preparar o material, coube ao pastor
Genésio Mendes. Assim, no início de 1962, veio a público a primeira edição do Doutrinal. Na
terceira edição, publicada em março de 1969, o Doutrinal recebeu um novo assunto, que passou a
fazer parte dos trinta pontos, sendo que, em Assembléias Gerais anteriores a 1969, o assunto sobre o
dia da morte de Jesus e o dia de sua ressurreição foi estudado com bastante cuidado, critério e
oração, o que levou as pessoas empenhadas nesse estudo à conclusão de que Jesus não havia
morrido numa sexta-feira, nem ressuscitado no primeiro dia da semana. Todos os estudos,
devidamente fundamentados na Bíblia Sagrada, davam outro rumo ao assunto: Jesus morreu numa
quarta-feira, foi sepultado antes do pôr-do-sol, e, como cumprimento de suas próprias palavras (Mt
12:40), passou exatamente três dias e três noites na sepultura, vindo a ressuscitar no fim desse
período de 72 horas, que se completou no sábado, à tarde, ao pôr-do-sol. Confirmando as palavras
de Jesus, quanto ao sinal e sua veracidade, o evangelista Mateus informa que Ele ressuscitou três
dias e três noites após o seu sepultamento, no mesmo horário em que foi sepultado (Mt 28:1-6).
Sendo esse assunto aprovado por unanimidade pela Assembléia Geral, com o título: O Axioma
da Ressurreição, foi incluso no Doutrinal Para não acrescentar o número dos trinta pontos,
dois assuntos foram unidos,formando a Lição n° 2: A Criação e a Triunidade Divina.

Os pontos de fé da Igreja Adventista da Promessa são:

1. A Bíblia Sagrada: "A palavra de Deus"
Conforme Isaías 34:16, cremos que a Bíblia Sagrada é o Livro do Senhor. Produzida por homens
santos, foi inspirada pelo Espírito Santo, sendo, assim, a palavra de Deus, que é luz para o nosso
caminho e guia para a nossa vida (II.Pé.1:20 e 21; II.Tim.3:15-17; SI 119:105).

2. A Criação e a Triunidade Divina
Cremos que a criação de todas as coisas, inclusive do homem como ser humano, foi obra das mãos
de Deus Pai, Filho e Espírito Santo. (Gn 1:1 e 26,Jo l:1-3; Hb 1:2; Jó 33:4; SI 104:30). Cremos na
Triunidade Divina: Pai, Filho e Espírito Santo. O Deus único em essência, revelado nas três pessoas
da Santíssima Trindade (Jo 15:26; Mt 28:19; II Cor 13:13 – Ex.20:1 – 2 Jo. 1:1-3 8:58 20:28
At.5:3-4.. ) .

3. Queda e Restauração do Homem
O homem foi criado pelas mãos de Deus e foi feito perfeito, mas, pelo livre arbítrio, pecou
transgredindo a ordem divina, no Éden (Gn 1:26 e 27, 2:16 e 17, 3:1-6 e 17-19). Ali mesmo, Deus
deu ao homem a promessa da redenção (Gn 3:15). Essa promessa divina cumpriu-se em Jesus, o
Redentor 19:10; At 5:30 e 31.

4. Jesus: "Mediador e Salvador"
Cremos que Jesus, o Filho de Deus, foi enviado ao mundo para cumprir a divina promessa da
redenção. Morrendo na cruz pelos nossos pecados, como Cordeiro de Deus (Jo 1:29), tornou-se
nosso único Mediador e Salvador (Jo 14:6; I Tim 2:5; Lc 2:11; Jo 4:44).

5. Arrependimento e Conversão
São os dois passos decisivos para o pecador que aceita Jesus como Salvador e Senhor de sua vida.
Em virtude de a pregação de Jesus ser um chamado ao arrependimento (Mc 1:15), Pedro, no
Pentecostes, começou o seu diálogo com a multidão falando da necessidade desse arrependimento
(At 2:38), cujo resultado é a conversão, que é fruto do Espírito Santo, capaz de levar o arrependido
a mudar a direção de sua vida, do caminho da morte para o caminho da vida eterna (At 3:19, 26:18-
20; I Ts 1:9).

6. O Batismo do Arrependimento
Cremos que o batismo é a porta de entrada à comunhão da Igreja. Deve ser realizado na forma de
imersão, para cumprir o seu simbolismo (Mt 3:6 e 16; Rom 6:3; Cl 2:12), e em nome do Pai, do
Filho e do Espírito Santo (Mt 28:19).

7. Batismo no Espírito Santo
Cremos no batismo no Espírito Santo, como promessa anunciada (Is 44:3; Jl 2:28-30), como
promessa confirmada (Mt 3:11; Lc 24:49; At 1:5), como promessa cumprida (At 2:1-4 e 33). Essa
bênção divina não se limitou ao Cenáculo, mas acompanhou a Igreja de Deus e chegou até nós (At
2:39,10:44-46,19:1-6). Cremos, também, que as línguas estranhas são o sinal do batismo no Espírito
Santo, como referidas nos textos acima ( At 2:1-4.,10:44-46,19:1-6. I Cor.14:2).

8. Batismo no Espírito Santo
Cremos no batismo no Espírito Santo, como promessa: anunciada (Is 44:3; Jl 2:28-30) confirmada
(Mt 3:11; Lc 24:49; At 1:5) E cumprida (At 2:1-4 e 33). Essa bênção divina não se limitou ao
Cenáculo, mas acompanhou a Igreja de Deus e chegou até nós (At 2:39,10:44-46,19:1-6). Cremos,
também, que as línguas estranhas são o sinal do batismo no Espírito Santo, como referidas nos
textos acima ( At 2:1-4.,10:44-46,19:1-6. I Cor.14:2).

9. Dons Espirituais
Cremos nos dons espirituais como dádiva divina à Igreja. Cremos que eles operam para aquilo que
for útil. (I Cor 12:7 e 11) A lista destes Dons se encontram em Romanos. 12: 3 – 8. I Coríntios 12:8-
10. Efésios 4:11 I Ped. 4:10 - 11. Esses dons são, portanto, obra exclusiva da triunidade Divina (I
Cor 12: 4 – 6 -) e se manifestam para a edificação da Igreja (I Cor 12: 7 e 11. 14:12).

9. Ordenanças Instituídas por Cristo
Cremos nas ordenanças como cerimônias religiosas espirituais, dadas por Cristo à sua Igreja. São
elas: O Batismo por imersão. (Mt 3:1 e 6; Jo 3:23) a Ceia do Senhor (Lc 22:19 e 20; I Cor 11:23-25,
10:16). E o Lava-pés, como instituído por Jesus instituição da Ceia (Jo 13:4-17).

10. Reverência às Coisas Santas
A reverência é uma atitude de profundo respeito do ser humano às coisas santas. O crente deve
reverenciar:
A Deus (He 2:20; SI 89:7)
A Igreja corpo de Cristo. (Lv 19:30)
As autoridades eclesiásticas (Ml 2:7; At 23:5)
A casa de Deus (E c 5:1; I Tim 3:15).
Tudo deve ser feito em respeito à palavra de Deus (Lv 27:28-32).

11. A Sã Doutrina
Denomina-se sã doutrina o conjunto de doutrinas bíblicas sadia. Há muitos ensinos religiosos que
configuram heresias e doutrinas estranhas; por isso, a sã doutrina deve ser a prova da Verdade. Com
base nisso, o próprio Jesus citou doutrinas de homens (Mc 7:7) e o autor da carta aos hebreus
lembra que há doutrinas estranhas (Hb 13:9). Nesse sentido, a sã doutrina existe para colocar a
Verdade eterna na sua real posição (T t 1:9; I Tim 1:10).

12. Santificação no Porte e na Conduta Cristã
Cremos que o crente em Jesus torna-se "nova criatura". A partir daí, sua maneira de viver,
referente ao porte cristão e à conduta do caráter, deve refletir Cristo na vida da pessoa. As formas
velhas do procedimento mundano não se coadunam mais com a mente renovada pelo santo
evangelho. Em todas as circunstâncias da vida, o crente deve ser luz para não produzir escândalos
(Fp 2:15; I Cor 10:32; I Pé 3:2-4).

13. Abstinência e Temperança
Cremos na lei que regula o direito aos alimentos permitidos e declarados limpos, especialmente no
que se refere às carnes, conforme o capítulo 11 de Levítico. As referências às coisas imundas passa
por toda a Bíblia, para orientar os fiéis na obediência à palavra de Deus e no cuidado com a saúde é
a temperança (Jó 14:4; Is 65:4, 66:17; II Cor 6:17; Ap 18:2). Cumprimos estas leis por uma ordem
soberana de Deus visando a nossa obediência e santidade. Levitico 11: 1-2 - 44-47.

14. A Oração e sua Eficácia
Cremos que a oração é o meio de o crente falar com Deus. E na oração que ele agradece, louva e
suplica ao Senhor, que lhe responde, o que é maravilhoso e benéfico ao crente que ora com fé
naquele que tudo pode (SI 69:13; Is 59:7; I Rs 18:36-38). Embora a oração possa acontecer em
várias circunstâncias e em momentos diferentes (Is 38:2-5; Jn 2:1), adotamos, para os trabalhos
regulares e oficiais, a oração de joelhos, como forma de adoração e reverência, e em conjunto (Ep
2:10; Rom 14:11; At 20:35 e 36, At 1:14, 12:5).

15. Cura Divina
Cremos que Jesus pode curar as enfermidades, pois esta é promessa de sua Palavra (Mc 16:18; At
4:30; Tg 5:16). A cura divina pode ser alcançada pela imposição das mãos (Mc 16:18), pela oração
(Tg 5:16) e pela unção com óleo, ministrada pelo pastor ou pelo presbítero (Mar 6:7 -13. Tia.5:14.)
Há casos em que se manifesta os dons de curar (I Cor 12:9).

16. Os Dez Mandamentos
Cremos que a lei moral, contida nos dez mandamentos, deve ser observada pelo crente em Cristo
Jesus (Ec 12:13; Rom 2:13). Cremos que a lei é eterna e não findou na cruz (Mt 5:17; Lc.16:17.).
Ao contrário do que muitos ensinam, a morte de Jesus na cruz não anula a obediência aos seus
ensinamentos. Dessa forma, a guarda aos dez mandamentos é a prova de que amamos a Deus (Jo
14:21, 15:10; I Jo 2:4 5:2-3).

17. Sábado, dia de Repouso
Cremos que o sábado é o dia de repouso cristão, que foi abençoado e santificado por Deus, na
criação (Gn 2:2). Na entrega da lei, no monte Sinai, o sétimo dia, denominado sábado, aparece
como o dia abençoado e separado para o repouso do povo de Deus, (Ex 20:8-11). A semana
permanece, portanto, como formada na criação, composta por sete dias; logo, o sétimo continua
sendo o dia de repouso. Em toda a Bíblia, não há nenhuma menção de mudança do dia de sábado
para outro qualquer. Jesus confirmou a bênção da criação, dizendo: O sábado foi feito por causa do
homem (Mc 2:27), o que equivale a dizer: enquanto o homem existir sobre a face da terra, o sábado
lhe será o dia de repouso. Jesus e seus discípulos guardaram o sábado. Luc. 4:16 e 31. Jo.10:15.
Luc. 23:56. At. 16:16. 18:1-4.

18. Distinção das leis Moral e Cerimonial
Cremos que há distinção entre a lei moral e a lei cerimonial. A lei moral é composta por dez
mandamentos (Dt 4:13) e foi escrita pelo próprio Deus, em duas tábuas de pedra (Ex 31:18). É
chamada de lei perfeita (SI 19:7), lei da liberdade (Tg 2:12), lei de Deus (Rom 7:22 e 25), a verdade
(SI 119:142); não é sombra, porque é chamada lâmpada e luz (Pv 6:23); foi guardada dentro da arca,
que, por sua vez, estava no lugar santíssimo do Tabernáculo (Ex 25:10-22, Lv 16:2). A lei
cerimonial contém todas as instruções referentes ao trabalho do santuário, e, por ordem de Deus,
foi escrita por Moisés em um livro (Dt 31:24), guardada fora da arca, ao seu lado (w. 25 e 26).
Todos os regulamentos religiosos e festivos de Israel estavam nessa lei, que, por isso, é chamada lei
de ordenanças ( Normas de culto). (Ef 2:15; Cl 2:14-16). Era considerada sombra das coisas futuras
(Cl 2:17; Hb l0:l); portanto, não se confunde com a lei moral. As duas aparecem nitidamente
separadas, em I Cor 7:19 Jo.7:21 - 24.

19. Manutenção da Obra: "Dízimos e Ofertas"
Cremos que o dízimo é uma determinação legal a todo filho de Deus. Foi instituído para a
manutenção do ministério eclesiástico (Lv 18:21), como ordena a Bíblia: Trazei todos os dízimos à
casa do tesouro (Ml 3:10). O dízimo representa a décima parte dos proventos da pessoa. Dessa
forma, o crente que é fiel entrega o dízimo em obediência à Palavra e numa forma de louvor e
agradecimento a Deus. Já as ofertas são voluntárias, uma vez que o crente contribui segundo suas
condições e o seu coração (II Cor 9:7).

20. Submissão às Autoridades e Liberdade de Consciência
A Bíblia determina que deve haver submissão, por parte dos crentes, às autoridades seculares (Rom
13:1-7) e às autoridades religiosas (Hb 13: 7 e 17) essa submissão aos Homens só cessa quando nos
leva a desobedecer a palavra de Deus ( At.5:27 – 29.). A liberdade de consciência é um direito
garantido a todo cidadão, pela Constituição Nacional. Isso garante ao crente exercer a sua fé, sem
constrangimentos ou censuras. A Liberdade de consciência cristã deve ser, também, praticada e
respeitada (Dn 3:12-18; At 21:37-40; 22:25-29).

21. O Casamento, o Lar e a Família.
Cremos que o casamento ( conforme preceituado na palavra de Deus entre macho e fêmea) é a
base e a segurança da família, pois um lar não é feito de pedras frias da casa (o edifício),mas,
essencialmente, de amor, compreensão, respeito, comunhão e submissão, o que só se pode
conseguir numa família legitimamente constituída sob as bases legais e sob a bênção do Deus
eterno. Por isso, Paulo aconselha que todo casamento seja realizado no Senhor, isto é, conforme a
vontade de Deus (I Cor 7:39).

22. O Ministério Eclesiástico
Cremos que o ministério eclesiástico começou em Cristo, na escolha dos doze discípulos e, depois,
dos setenta (Mt 10:1-6;Lc 10:1 e 2). A escolha e a ordenação passou pelo ministério apostólico,
seguindo,através da história da igreja, até nossos dias (At 13:1-3; I Tim 4:14; Tito 1:5). Cremos que
há, na Bíblia, dois graus de consagração: diaconato e presbiterato (At 6:1-6; I Tim 3:1, 2 e 8-11; I
Pé 5:1). Os títulos - pastor, missionário, evangelista e obreiro - dizem respeito à função e não ao
ofício. Do estudo desse assunto, resulta, portanto, à chamada linhagem de consagração.

23. Imortalidade Condicional
Cremos que o homem é mortal por natureza. Na morte, ele permanece em estado de inconsciência
(Ec 9:5 e 10; Is 38:18 e 19; SI 146: 3 e 4) e só voltará à vida pela ressurreição (Jo 5:28 e 29; I Cor
15:51-54; I Ts 4:15 e 16), quando, então, os justos herdarão a recompensa e receberão a coroa da
vida (Lc 14:14; II Tim 4:6-8). Só quem possui a imortalidade inerente é Deus (I Tim l:17, 6:15 e
16).

24. O Axioma da Ressurreição
Cremos que Jesus morreu em uma quarta-feira e ressuscitou três dias e três noites depois, período
que terminou no Sábado, ao por do sol, exatamente 72 horas depois que fora deposto na sepultura
(Mt 12:40, 28:1-6 – Mat.28:1 – 7.).

25. A Segunda Vinda de Cristo
Cremos no advento de Cristo; por isso, somos adventistas. Jesus cumpriu seu ministério terreno (Jo
17:4), morreu e ressuscitou, subindo ao céu, de onde viera (Atos 2:23 e 24; Mc 16:19; At 1:9).
Voltará, em sua segunda vinda, para buscar os redimidos, salvos por ele (Jo 14:3; Fp 3:20; Hb.9:28),
e essa vinda será visível e pessoal ( Mat.24: 29 - 31.At 1:10 - 11).

26. Ressurreição dos Mortos
Cremos na ressurreição dos mortos, como a severa Paulo, em Atos 24:14: Tendo esperança em
Deus, como estes mesmos também esperam, que há de haver ressurreição de mortos, assim dos
justos como dos injustos. A ressurreição dos justos dar-se-á por ocasião da volta de Jesus (Lc 14:14);
a dos ímpios, após o milênio (Ap 20:5). A morte, para o justo, é chamada de sono; ele acordará ao
som da última trombeta (I Ts 4:14-16).

27. O Milênio
Cremos que haverá um período de mil anos, chamado milênio, este acontecerá exatamente entre as
duas ressurreições: começará com a ressurreição dos justos e terminará com a dos injustos (Ap
20:4-6). Durante esse período, a terra estará vazia e assolada, como o abismo (Jr 4:23-Ap 20:1-3).
Os justos salvos estarão nos céus (Jo 14:1-3; Fp 3:20). Ali, realiza - se o juízo dos ímpios e dos
anjos maus (SI 149:7-9; I Cor 6:2 e 3; Ap 20:4). Findo o milênio, os ímpios ressuscitarão (Ap 20:7),
e, logo, empreenderão, sob o comando de satanás, a última batalha deles contra o povo de Deus;
mas serão destruídos no fogo eterno e se tornarão cinza sobre a terra (Ml 4:3; Ap 20:9 e 10).
Jerusalém, cidade eterna, será colocada na terra renovada, para todo o sempre (Ap 21:1-7).

28. O Juízo Final
Cremos que todo ser humano passará pelo juízo divino ( Ec 12:14 – Rom.14:10) o Senhor Jesus
Cristo será o juiz ( At. 17:31), e que o mesmo será feito com base na santa e imutável lei de Deus
(Ec 12:13; Tia.2:8-12), e esse processo determinará qual será a recompensa de cada um (II Cor 5:10
Ap.20:11 – 15.).

29. A Extinção do Mal
Cremos que o mal entrou no mundo através da transgressão de nosso pais (Gn 3:17 e 18) e que o
pecado e a morte passaram para toda a humanidade (Rom 5:12). Com a volta de Jesus, tudo se
acabará neste mundo, sim, a causa do mal será eliminada e os seus efeitos serão cessados (Ap 21:4;
1-15).

30. A Nova Terra: "Lar dos Remidos"
Cremos que a nova terra será o lar eterno dos remidos do Senhor. Promessas há, através da Bíblia,
garantindo aos salvos esse lar de paz e vida eterna (Is 65:17-19; Is 35:1-10; II Pé 3:13; Ap 21:1,
22:1-5).

Outros assuntos
A evolução doutrinária não parou somente no Axioma da Ressurreição. Os trinta pontos foram
melhorados, na forma doutrinária, para terem mais clareza da verdade. Outro assunto que
mereceu muitos e acurados estudos foi o que se refere a Daniel 8:14 - As duas mil e trezentas
tardes e manhãs. Como a teologia adventista do sétimo dia estava ainda nas mentes das pessoas, de
modo particular, naquelas que eram oriundas desta Igreja, o assunto foi apresentado duas vezes, em
duas Assembléias Gerais, antes de ser devidamente aprovado. A forma da IAP de entender o
assunto prevaleceu, por estar sustentada em interpretação hermenêutica e doutrinária, com base na
Bíblia e na história.
Dessa maneira, para os adventistas da promessa, "duas mil e trezentas tardes e manhãs" não são
"2.390 anos", mas, efetivamente, referem-se a "dois mil e trezentos" sacrifícios, que resultam
num período de 1.150 dias ou 3 anos literais. Essa interpretação atende plenamente às exigências de
Daniel 8. Seguindo a narração do capítulo, na sequencia dos símbolos que ele apresenta, as duas mil
e trezentas tardes e manhãs referem-se aos anos de 168-165 a.C. Todas as evidencias bíblicas,
comprovadas pela história dos reinos universais e do povo judeu, são muito patentes e claras em
provar que o período mencionado no versículo 14 cumpriu-se fielmente com Antíoco Epífanes, que
deu cumprimento cabal e pleno à profecia. Esse assunto não entrou no Doutrinal, mas já foi
estudado em Lições Bíblicas e é certa e liquida entre nós a sua compreensão, como acima
mencionada. Ele forma um capítulo do livro Iuz para o teu caminho, de autoria do Pr. Genésio
Mendes. 

Ali, estão apresentas todas as provas bíblicas e históricas desse tema:
a) Provas bíblicas - Trata-se de um assunto relacionado diretamente ao serviço religioso do
Tabernáculo, referente aos sacrifícios diários ali realizados, e ao dia da expiação, que se dava uma
só vez ao ano, no dia 10 de Etahanim (I Rs 8:2), o sétimo mês do calendário judaico. Esse estudo é
básico, conforme todo o cerimonial do Tabernáculo e as informações da epístola aos Hebreus, para
provar a inveracidade de que Jesus teria passado, no céu, do lugar santo para o santíssimo, em 22 de
outubro de 1844.
b) Provas históricas - Trata-se de um assunto que envolve o desenrolar da história das nações
mencionadas em Daniel capítulos 7 e 8. Conforme a sequencia daquelas nações ali referidas, no cap.
8, só se pode chegar até a divisão do Império Grego, em 331-AC. Este império, de Alexandre
Magno, foi dividido em quatro partes (Dan 8:8), que formaram: a Macedônia, com Cassandro; a
Trácia, com Lisímaco; a Síria, com Seleuco e o Egito, com Ptolomeu. A partir do versículo 9, até o
14, temos a menção de uma das partes, como perseguidora ferrenha dos judeus e de toda a sua
forma de religião e culto. O cumprimento dessa parte da profecia, a ponta pequena do cap.8, onde
estão as 2.300 tardes e manhãs, segundo os mais abalizados historiadores e escritores evangélicos,
aconteceu no tempo da dinastia dos selêucidas, com Antíoco Epífanes, entre os anos 171-165 AC.
Dentro desse período maior, situou-se o das 2.300 tardes e manhãs, equivalente a 3 anos, em 168-
165 AC. Assim, o historiador Flavius Josefus menciona, em sua História dos Hebreus, esse
cumprimento, com todos os detalhes da profecia, de um modo deslumbrante e incontestável. Na
história Adventista da Promessa, pois, a doutrina sempre evoluiu para melhor; a luz sempre
apareceu e brilhou, iluminando o caminho seguro da verdade eterna.

Batismo nos templos
Na década de 90, o Presbitério estudou, também, a implantação do batistério no interior dos templos.
O assunto, por ser polêmico, mereceu, também, cuidadoso estudo. Nesse sentido, vários ângulos
foram considerados, até mesmo a falta de lugares adequados ao ato batismal, e foi levada em
consideração a contaminação dos mananciais e dos rios de águas correntes, que, por estarem
próximos de centros urbanos, terminam com suas águas poluídas por esgotos, etc. Foi levado
também em conta o fato de que há lugares, especialmente no nordeste brasileiro, em que, em certas
épocas do ano, as águas secam, o que impossibilita a realização de batismos. O que mais pesou,
todavia, foi o aspecto doutrinário, em virtude de a Bíblia não citar algo parecido com o batistério
em templos. Depois de muita análise, chegou-se à conclusão de que é o símbolo do batismo que
importa, conforme Rom 6:3 e Cl 2:12, isto é, o ato de "sepultamento". O que basta, portanto, é
haver quantidade de água suficiente para imergir a pessoa.
Ainda se levantou a questão, citada no Didaquê (livro de ensino, escrito no ano 70 d.c), de que o
batismo era realizado em água viva ou corrente. Citou-se, também, o caso do rio Jordão e o texto de
João 3:23, que parece se referir a fontes correntes. Essa era, porém, a situação daquela época. Se a
Igreja fosse tomar por base somente as informações puramente literais, teria de admitir muitas
coisas que hoje não são praticadas, como: andar de sandália, usar roupas longas, com cinto de couro,
só jejuar com a cabeça ungida e o rosto lavado (Mt. 6:16 e 17). Para tudo, portanto, é preciso
critério e discernimento coerente com a verdade e as próprias circunstâncias ligadas ao momento
em que as coisas foram escritas. Hoje, a Igreja, à semelhança daqueles dias, realiza batismos em
rios, lagos e mares. Qual foi então a decisão? Construir, dentro dos templos, o batistério de
dimensões suficientes para a efetivação de dois batismos ao mesmo tempo, tendo, portanto, dois
oficiantes dentro da água. A entrada e a saída da água devem ter a mesma capacidade; assim, no
momento da cerimônia batismal, ficam abertas as torneiras de entrada e saída, dando sucessivo e
equilibrado movimento à água.

Assim, as vantagens desse modelo são as seguintes:
1. O ato batismal é realizado dentro do templo, o que proporciona reverência e silêncio, por parte
dos assistentes.
2. Não há o inconveniente do tempo, se muito calor ou muita chuva; nada interfere nem impede a
realização da cerimônia.
3. Evita-se, o que é muito importante, o perigo de água poluída e suja dos rios e lagos. Isso, hoje, é
um sério problema para as próprias autoridades sanitárias.
4. O batistério, preparado nos moldes acima, satisfaz plenamente a exigência religiosa e doutrinária
do batismo, pois o candidato sabe que está sendo imergido em água limpa e corrente .
Essa decisão agradou a Assembleia Geral, que tem aconselhado, através das lideranças eclesiásticas,
a construção de templos com o batistério interior. Hoje, já existem templos equipados com
batistérios lindos e panorâmicos, que podem ser modelo a outros, que, com certeza, serão
construídos. O primeiro batistério inaugurado na IAP foi o da igreja de Jardim Aeroporto, em
Campinas-SP, na Região Paulista. A cerimônia foi realizada pelo presidente do presbitério geral, na
época, Pr. Cassiano Domingos de Souza. Em lugares onde se tem rios de águas limpas ou lagos bem
tratados e ainda oceanos, o batismo pode continuar sendo realizado neles. Porém, onde esses
recursos forem escassos ou até inexistentes, o batistério é a melhor e mais coerente solução para
este problema. Esta solução Resolve e não fere a doutrina do batismo A Igreja tem procurado, ao
longo de sua jornada, atender às palavras do apóstolo Pedro: Antes crescei na graça e no
conhecimento (II Pé 3:18). Essa atitude faz que ela se disponha à evolução doutrinária; porém,
sempre de maneira sábia, criteriosa e sustentada pela Bíblia Sagrada. Essa condição já fez e faz que
a Igreja rejeite tudo aquilo que contraria os princípios doutrinários embasados na suprema verdade,
a Bíblia Sagrada. Já houve quem tentasse mudar esses marcos e colocar outros que não resistiram à
prova da verdade; por isso mesmo, foram de pronto rejeitados. Para a Igreja Adventista da
Promessa, a Bíblia será sempre a sua coluna mestra, em questão de ensino religiosodoutrinário.
Nesse caminho, ela continuará sempre vencendo e crescendo, em qualidade e
verdadeira justiça e santificação.
A evolução doutrinária poderá continuar crescendo, mas com base nos textos bíblicos indicativos do
cuidado que deve haver nessas questões: Examinai tudo, retende o que é bom. ( I Tess 5:21); E eu,
irmãos, apliquei estas coisas por semelhança, a mim e a Apolo, por amor de vós, para que em nós
aprendais a não ir além do que está escrito, não vos ensoberbecendo a favor de um contra o
outro. (I Cor 4:6).

Material recebido da IAP

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