Um Novo Começo nas Mãos de um Deus Fiel

O início de um novo ano sempre carrega consigo sentimentos mistos. De um lado, o descanso das férias, o alívio da pausa na rotina, o tempo dedicado à família e aos amigos. De outro, o retorno às responsabilidades, aos compromissos e aos desafios que nos aguardam. Para a vida espiritual, esse período também costuma ser marcado por oscilações: alguns voltam renovados, outros dispersos, e há aqueles que retornam precisando reencontrar o ritmo da fé.

Diante desse cenário, uma verdade precisa ser lembrada com clareza: Deus não entrou de férias. Enquanto descansávamos, viajávamos ou reorganizávamos a vida, Ele continuou fiel, sustentando-nos com Sua graça. É essa certeza que nos conduz à reflexão proposta pelo texto de Lamentações 3.22–23: “As misericórdias do Senhor são a causa de não sermos consumidos, porque as suas misericórdias não têm fim; renovam-se cada manhã; grande é a tua fidelidade.”

Essas palavras nasceram em um contexto de dor, crise e reconstrução. Jerusalém havia sido destruída, o povo estava abatido, e o futuro parecia incerto. Ainda assim, em meio às ruínas, o profeta encontra uma razão para esperança: a fidelidade de Deus. Isso nos ensina que recomeços não dependem de cenários ideais, mas da certeza de quem Deus é.

Ao retornarmos das férias e iniciarmos um novo tempo como igreja, o primeiro passo é reconhecer que foi Deus quem nos sustentou até aqui. Não fomos consumidos, não fomos abandonados, não fomos esquecidos. Mesmo quando a fé enfraqueceu ou a rotina espiritual perdeu intensidade, as misericórdias do Senhor permaneceram ativas. Estar aqui, vivos, reunidos e com esperança é prova de que Sua graça nos acompanhou em cada dia.

A gratidão, portanto, precisa anteceder qualquer planejamento. Antes de falarmos sobre metas, projetos ou expectativas, somos convidados a olhar para trás e reconhecer: “Até aqui nos ajudou o Senhor”. Uma igreja que começa o ano com um coração grato caminha com mais maturidade, humildade e confiança.

O texto bíblico também nos lembra que as misericórdias do Senhor não se esgotam; elas se renovam a cada manhã. Isso significa que não vivemos espiritualmente de “estoques antigos” de experiências com Deus. O que Ele fez no passado é importante, mas não substitui aquilo que Ele deseja fazer hoje. Cada novo dia traz consigo graça fresca, direção renovada e oportunidades inéditas de comunhão com o Senhor.

Esse ensinamento é especialmente relevante após o período de descanso. Não somos chamados a simplesmente retomar hábitos por obrigação, mas a redescobrir a alegria de buscar a Deus com o coração renovado. O retorno aos cultos, à vida devocional, ao serviço cristão e à comunhão precisa ser visto como resposta a uma graça que se renova, e não como peso religioso.

No entanto, recomeçar com Deus exige mais do que boas intenções. Exige decisão e posicionamento espiritual. Em Lamentações 3.24, o profeta declara: “A minha porção é o Senhor, diz a minha alma; portanto esperarei nele.” Essa afirmação revela uma escolha consciente. Jeremias decide confiar, esperar e fazer de Deus sua prioridade, mesmo em tempos difíceis.

Da mesma forma, o início de um novo tempo nos desafia a realinhar nossas prioridades. É momento de avaliar nossa caminhada espiritual, nossa participação na vida da igreja, nosso compromisso com a obra do Senhor e nossa disposição em viver uma fé prática e coerente. Recomeçar com Deus não é automático; é uma decisão diária de colocá-Lo no centro.

Esse retorno pós-férias não é apenas uma retomada de atividades, mas um convite ao realinhamento espiritual. Deus nos chama a iniciar este novo tempo com dependência, fé e compromisso. Não sabemos exatamente quais desafios enfrentaremos, mas sabemos quem caminha conosco. O mesmo Deus que foi fiel até aqui continuará sendo fiel nos dias que virão.

Por isso, começamos este novo tempo com esperança. A rotina volta, os desafios surgem, mas a fidelidade do Senhor permanece inabalável. Se Deus nos trouxe até aqui, Ele também nos conduzirá adiante. Que este seja um ano marcado não apenas por agendas cheias, mas por corações alinhados, fé renovada e uma igreja que caminha confiante no Deus que faz novas todas as coisas.

Pr Ademir Rodrigues

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