A caminhada espiritual da igreja chega a um momento decisivo. Estamos nos últimos dias de um período intenso de oração e consagração na igreja, mas é necessário compreender com clareza: isso não é o fim, é o começo. O chamado de Deus não é para vivermos experiências isoladas, mas para permanecermos n’Ele de forma contínua. Como está escrito em João 15:4: “Permanecei em mim…”. Permanecer fala de constância, de relacionamento diário, de uma vida enraizada em Deus.
A Igreja Adventista da Promessa no Itaim Paulista (SP) inicio no dia 14/02 uma quarentena de consagrações envolvendo criança, jovens e igreja em geral com seus consagrados, membros e visitantes frequentes, realizando adoração a Deus na igreja, lares e nas redes sociais.
A igreja primitiva nos apresenta esse modelo de vida espiritual. O texto de Atos 2:42 declara que “eles perseveravam”. Isso revela que não se tratava de momentos isolados de fervor, mas de uma prática contínua. Eles não viviam de picos espirituais, mas de uma vida constante na presença de Deus. Esse é o padrão que precisa ser restaurado em nossos dias. Não fomos chamados para depender de campanhas espirituais, mas para desenvolver uma vida sólida com Deus.
Diante disso, o nosso alvo precisa ser claro: transformar experiência em hábito, e hábito em cultura. Tudo o que vivemos nesses dias de oração precisa continuar. As experiências que tivemos não podem ficar apenas na memória; elas precisam se tornar práticas diárias. Quando a oração deixa de ser eventual e se torna rotina, quando a Palavra deixa de ser consultada apenas em momentos específicos e passa a ser alimento constante, então começamos a construir uma cultura espiritual verdadeira.
Mas para isso, precisamos aprender. Muitos desejam se aproximar de Deus, mas ainda não sabem como fazer. Por isso, é necessário desenvolver uma vida espiritual prática: aprender a orar com sinceridade, aprender a ler e viver a Palavra de Deus, aprender a ouvir a voz do Senhor e compreender o valor do jejum como disciplina espiritual. A comunhão com Deus não é um mistério inalcançável, ela é construída com práticas simples, constantes e intencionais.
Essa transformação também precisa alcançar o lar. Deus nos chama a assumir a responsabilidade espiritual dentro da nossa casa. O texto de Josué 24:15 nos desafia: “Eu e a minha casa serviremos ao Senhor”. Isso não é apenas uma declaração, é uma decisão. Cada homem e cada mulher precisa assumir seu papel, sendo exemplo de vida com Deus para sua família. O culto doméstico, mesmo que simples, torna-se um altar vivo dentro do lar, fortalecendo a fé e estabelecendo a presença de Deus no dia a dia.
O que desejamos como igreja não é viver momentos passageiros de intensidade espiritual, mas experimentar uma mudança profunda e permanente. Queremos que a busca por Deus se torne uma cultura, algo natural, constante e desejado. Queremos viver uma caminhada contínua de crescimento espiritual, sem depender de eventos para nos motivar. O verdadeiro avivamento não acontece apenas em datas específicas, mas se manifesta na vida diária de quem decide permanecer em Deus.
Este é o chamado para nós neste tempo: não voltar atrás, não esfriar, não tratar como comum aquilo que Deus fez. O Senhor nos despertou, e agora cabe a nós permanecer despertos. A jornada continua, e o convite de Deus permanece o mesmo: permanecei em mim.
Ademir Rodrigues
Pastor






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