A Igreja que Vai, Anuncia e Faz Discípulos

Quando observamos as últimas palavras de Jesus antes de sua ascensão aos céus, percebemos que elas revelam o coração de sua missão para a Igreja. O Senhor não deixou uma lista de programas, nem orientações sobre estruturas ou organizações. Ele entregou uma missão. Disse aos seus discípulos: "Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura" e, em seguida, ordenou: "Fazei discípulos de todas as nações". Essas duas ordens caminham juntas e são inseparáveis. A igreja que evangeliza, mas não discipula, interrompe o processo iniciado por Cristo; a igreja que pretende discipular sem evangelizar deixa de cumprir a primeira etapa da Grande Comissão.

Evangelizar significa anunciar as boas notícias de Deus para a humanidade. A palavra evangelho significa exatamente isso: boas novas. Contudo, o evangelho não é uma filosofia, um conjunto de valores morais ou uma religião. O evangelho é uma Pessoa: Jesus Cristo. Ele é o centro da mensagem cristã. Evangelizar é anunciar sua morte expiatória, sua ressurreição gloriosa, seu senhorio e seu chamado ao arrependimento. Toda verdadeira evangelização conduz as pessoas ao encontro com Cristo, e não apenas à adesão a uma igreja ou a um sistema religioso.

É importante compreender que o sucesso da evangelização não pode ser medido apenas pelos resultados visíveis. Muitas vezes imaginamos que evangelizar é convencer pessoas, produzir decisões ou aumentar números. Entretanto, as Escrituras ensinam que Deus é quem dá o crescimento. Nossa responsabilidade é proclamar fielmente a mensagem; a obra de convencer o coração pertence ao Espírito Santo. Essa verdade nos livra tanto da ansiedade quanto do orgulho. Se não houver conversões imediatas, isso não significa fracasso. Da mesma forma, quando vidas são transformadas, toda a glória pertence ao Senhor.

A Grande Comissão também deixa claro que evangelizar não é responsabilidade exclusiva de pastores, missionários ou evangelistas. Jesus dirigiu essa ordem aos seus discípulos, e eles a transmitiram à igreja de todas as gerações. Portanto, todo cristão é chamado a testemunhar. Desde o momento em que recebemos a graça de Deus, tornamo-nos devedores dessa mesma graça ao mundo que ainda não conhece Cristo. O evangelho jamais foi concedido para ser guardado, mas para ser compartilhado.

As Escrituras mostram diferentes maneiras pelas quais a igreja participa da evangelização. A primeira delas é a intercessão. Antes de falar aos homens sobre Deus, precisamos falar com Deus sobre os homens. O apóstolo Paulo demonstrava profunda tristeza por aqueles que ainda não conheciam a Cristo e transformava essa preocupação em oração. Uma igreja missionária é, antes de tudo, uma igreja que dobra os joelhos em favor dos perdidos.

Outra forma de evangelizar é pelo testemunho pessoal. Jesus afirmou que seus seguidores são o sal da terra e a luz do mundo. O testemunho não substitui a proclamação verbal do evangelho, mas lhe concede credibilidade. Uma vida transformada pelo Espírito Santo confirma aquilo que os lábios anunciam. As pessoas podem questionar nossos argumentos, mas dificilmente conseguem negar a realidade de uma vida moldada por Cristo.

A evangelização também acontece por meio da contribuição. Desde os primeiros tempos da igreja, aqueles que não podiam ir ao campo missionário sustentavam aqueles que eram enviados. A igreja de Filipos compreendeu essa responsabilidade ao apoiar o ministério de Paulo. Ainda hoje, toda contribuição destinada à expansão do Reino torna-se participação direta na missão de Deus.

Contudo, nenhuma dessas formas substitui aquilo que constitui a essência da evangelização: o anúncio do evangelho. A fé vem pelo ouvir a Palavra de Deus. Por isso, o discípulo precisa abrir a boca para anunciar Cristo. O exemplo de Filipe, ao evangelizar o eunuco etíope, demonstra que Deus usa pessoas obedientes, disponíveis, preparadas nas Escrituras e profundamente centradas em Jesus para alcançar vidas.

Entretanto, a missão da igreja não termina quando alguém aceita a Cristo. É justamente nesse momento que começa uma nova etapa: o discipulado. O Novo Testamento utiliza muito mais a palavra "discípulo" do que "cristão" para designar aqueles que seguem Jesus. Isso revela que Cristo não deseja apenas admiradores ocasionais, mas seguidores comprometidos com sua vontade.

Ser discípulo significa aprender continuamente com o Mestre, viver segundo seus ensinamentos e reproduzir em outros aquilo que foi aprendido. O discipulado vai muito além da transmissão de informações bíblicas. Trata-se da formação do caráter de Cristo na vida do novo convertido. Por essa razão, ensinar não consiste apenas em comunicar conhecimento, mas em acompanhar pessoas até que desenvolvam maturidade espiritual.

Na Grande Comissão, o verbo principal é "fazei discípulos". Os demais verbos explicam como essa ordem deve ser cumprida. O "indo" nos lembra que a igreja não pode permanecer acomodada; ela precisa sair ao encontro das pessoas. O "batizando" demonstra que aqueles que recebem Cristo devem ser integrados ao corpo de Cristo por meio de sua pública profissão de fé. Finalmente, o "ensinando" revela que a caminhada cristã continua durante toda a vida. Jesus não ordenou ensinar apenas algumas doutrinas, mas todas as coisas que Ele mandou, conduzindo seus seguidores não apenas ao conhecimento, mas à obediência.

Essa compreensão corrige um dos maiores desafios enfrentados pela igreja contemporânea. Muitas comunidades investem grandes esforços em levar pessoas à decisão inicial por Cristo, mas dedicam pouca atenção ao acompanhamento espiritual. O resultado são convertidos que permanecem imaturos, vulneráveis e sem firmeza na fé. O discipulado restaura esse equilíbrio, conduzindo cada novo crente ao crescimento espiritual, ao serviço cristão e ao compromisso permanente com a missão.

Ao concluir sua reflexão sobre evangelização e discipulado, o apóstolo Paulo apresenta três atitudes indispensáveis para quem deseja cumprir a missão de Cristo. A primeira é compromisso. Ele se reconhecia devedor do evangelho e compreendia que aquilo que havia recebido gratuitamente deveria ser compartilhado com outros. A segunda é prontidão. Paulo estava sempre disposto a anunciar Cristo, independentemente das circunstâncias. A terceira é convicção. Ele declarou que não se envergonhava do evangelho porque reconhecia nele o poder de Deus para salvar todo aquele que crê.

Essas três atitudes continuam sendo essenciais para a igreja atual. Não basta conhecer a doutrina da evangelização e do discipulado; é necessário praticá-la diariamente. O mundo continua necessitando ouvir a mensagem da cruz. Famílias continuam precisando conhecer a esperança da salvação. Pessoas continuam caminhando sem direção, aguardando que alguém lhes anuncie o amor de Cristo.

Por isso, a missão da igreja permanece inalterada. Enquanto caminhamos pelas ruas de nossa cidade, enquanto convivemos com nossos familiares, colegas de trabalho e vizinhos, somos chamados a viver como testemunhas do Reino de Deus. O Senhor deseja uma igreja que ora pelos perdidos, testemunha com sua vida, contribui para a expansão do evangelho, anuncia fielmente a Palavra e acompanha aqueles que chegam à fé até que se tornem discípulos maduros de Jesus Cristo.

Somente uma igreja que evangeliza e discipula reproduz o ministério de seu Senhor. Foi assim que Jesus viveu. Foi assim que a igreja primitiva cresceu. E continua sendo esse o caminho para a igreja cumprir, com fidelidade, a missão que recebeu até o dia glorioso da volta de Cristo.

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