A história da humanidade é marcada por promessas. Algumas são feitas por nós, outras são recebidas de pessoas que amamos e em quem confiamos. Entretanto, existe uma promessa que atravessa toda a história da igreja e permanece viva no coração de todos aqueles que aguardam a manifestação de Cristo: “Virei outra vez e vos levarei para mim mesmo” (João 14:3).
Jesus não disse que talvez voltasse. Ele afirmou: “Virei outra vez.” Essa promessa foi feita aos discípulos antes de sua morte e ressurreição, mas também representa uma esperança para toda a igreja. Depois de ressuscitar, Jesus permaneceu algum tempo com seus seguidores, ensinando-lhes sobre o Reino de Deus. Então, diante dos olhos deles, foi elevado aos céus. Enquanto os discípulos permaneciam olhando para cima, dois anjos lhes disseram: “Esse Jesus, que dentre vós foi recebido em cima no céu, há de vir assim como para o céu o vistes ir” (Atos 1:11).
A expressão “esse Jesus” merece atenção. Não será outro Cristo, nem uma ideia abstrata, nem simplesmente uma transformação espiritual da humanidade. É Jesus quem voltará. Aquele que nasceu em Belém, viveu entre os homens, morreu na cruz, ressuscitou ao terceiro dia e foi recebido nos céus é o mesmo que retornará para buscar os seus. Por isso, a segunda vinda de Cristo não deve ser tratada apenas como uma doutrina escatológica que conhecemos intelectualmente, mas como uma verdade capaz de transformar profundamente a maneira como vivemos, servimos e anunciamos o evangelho.
A primeira certeza que a igreja precisa conservar é simples e inegociável: Cristo voltará. A segunda vinda não é uma invenção posterior da igreja nem uma interpretação criada para alimentar expectativas religiosas. Ela está fundamentada na própria promessa de Jesus. Em João 14:3, Ele declarou: “Virei outra vez”. Paulo, ao escrever aos tessalonicenses, reforçou essa verdade dizendo que “o Senhor mesmo descerá do céu” (1 Tessalonicenses 4:16). É o próprio Senhor que vem. Podemos discutir diferentes aspectos da escatologia, interpretar sinais e estudar acontecimentos futuros, mas existe uma verdade que permanece acima de todas as discussões: Jesus Cristo voltará. E, se Ele voltará, nossa vida precisa estar preparada para encontrá-lo.
A Bíblia também deixa claro que essa volta será visível, gloriosa e incontestável. Jesus comparou sua vinda à manifestação de um relâmpago que ilumina o céu de uma extremidade à outra: “Porque, assim como o relâmpago sai do oriente e se mostra até ao ocidente, assim será também a vinda do Filho do Homem” (Mateus 24:27). O Apocalipse acrescenta: “Eis que vem com as nuvens, e todo olho o verá” (Apocalipse 1:7). A segunda vinda não será um acontecimento escondido, percebido apenas por alguns. Será a manifestação pública da glória de Cristo.

Paulo descreve esse momento com palavras igualmente fortes: “O Senhor mesmo descerá do céu com alarido, e com voz de arcanjo, e com a trombeta de Deus” (1 Tessalonicenses 4:16). Não encontramos aqui a imagem de uma chegada silenciosa e imperceptível, mas de uma manifestação majestosa e triunfal. Aquele que foi humilhado na cruz voltará em glória. Aquele que foi rejeitado pelos homens será reconhecido em sua majestade. Aquele que subiu aos céus retornará para cumprir a promessa feita à sua igreja.
Entretanto, a segunda vinda de Cristo não deve ser apresentada apenas como uma mensagem de juízo ou como motivo de medo. Para a igreja, ela é, acima de tudo, uma mensagem de esperança. Paulo percebeu que os cristãos de Tessalônica estavam sofrendo com a morte de pessoas queridas e, por isso, escreveu: “Não quero, porém, irmãos, que sejais ignorantes acerca dos que já dormem, para que não vos entristeçais, como os demais que não têm esperança” (1 Tessalonicenses 4:13).
Observe que Paulo não diz que os cristãos jamais sofrerão. A fé não elimina a dor da separação. A esperança cristã não significa ausência de lágrimas. Significa, porém, que a morte não possui a palavra final. A esperança está fundamentada na promessa de que “o mesmo Senhor descerá do céu” e de que aqueles que morreram em Cristo ressuscitarão.
Essa é uma mensagem profundamente pastoral. Há pessoas dentro das nossas igrejas que carregam a saudade de pais, mães, filhos, cônjuges, irmãos e amigos que já partiram. Existem lugares vazios nos bancos das igrejas e nas mesas das famílias. Existem nomes que ainda provocam lágrimas. Para essas pessoas, a promessa da volta de Cristo não é uma simples informação sobre o futuro; é uma palavra de consolo para o presente. Por isso, Paulo conclui sua mensagem dizendo: “Consolai-vos, pois, uns aos outros com estas palavras” (1 Tessalonicenses 4:18).
A esperança da segunda vinda, contudo, não deve produzir passividade. Pelo contrário, a promessa de que Cristo voltará exige preparação e vigilância. Jesus não ensinou seus discípulos a descobrir uma data específica para sua volta. Ele ensinou-os a viver preparados. Em Mateus 24:42, encontramos uma advertência clara: “Vigiai, pois, porque não sabeis em que dia vem o vosso Senhor.”
Essa orientação muda completamente a perspectiva da vida cristã. A questão mais importante não é simplesmente perguntar: “Quando Jesus vai voltar?” A pergunta mais importante é: “Se Jesus voltasse hoje, como Ele encontraria minha vida?”
A vigilância cristã não significa viver em constante especulação sobre datas, acontecimentos políticos ou cálculos proféticos. Vigiar significa viver em comunhão com Deus, preservar a fé, abandonar o pecado, permanecer fiel, servir ao próximo e manter o coração preparado para a chegada do Senhor. Aquele que verdadeiramente espera Cristo não vive de qualquer maneira, porque sabe que cada dia pode ser uma oportunidade de demonstrar fidelidade ao Senhor.
Além de esperança e vigilância, a segunda vinda de Cristo também produz missão. Uma igreja que acredita que Jesus está voltando não pode permanecer fechada dentro de quatro paredes. A expectativa do futuro deve produzir compromisso com o presente.
Em Atos 1:8, Jesus disse aos discípulos: “Mas recebereis a virtude do Espírito Santo... e ser-me-eis testemunhas.” É significativo observar a sequência: Espírito Santo, testemunho e missão. Os discípulos estavam preocupados com acontecimentos futuros. Eles perguntaram ao Senhor: “Restaurarás tu neste tempo o reino a Israel?” Jesus, porém, direcionou a atenção deles para aquilo que deveriam fazer enquanto aguardavam. Em vez de entregar-lhes um calendário, entregou-lhes uma missão: “Ser-me-eis testemunhas.”
Essa verdade continua atual. Muitas vezes, a igreja pode ficar tão preocupada em descobrir os detalhes do futuro que se esquece da responsabilidade que possui no presente. Podemos discutir sinais, interpretar acontecimentos e falar sobre profecias, mas Jesus nos chama para testemunhar. Se realmente acreditamos que Ele está voltando, precisamos anunciar o evangelho. Não fomos chamados simplesmente para esperar a volta de Cristo; fomos chamados para trabalhar enquanto esperamos.
Por isso, a verdadeira expectativa escatológica produz ação. Quem espera Cristo voltar não cruza os braços; arregaça as mangas. Quem aguarda o Senhor continua servindo. Quem acredita na promessa continua orando. Quem espera a volta de Jesus continua evangelizando. A esperança não nos paralisa; ela nos movimenta.
Jesus expressou esse princípio ao falar sobre o servo fiel: “Bem-aventurado aquele servo que o Senhor, quando vier, achar fazendo assim” (Mateus 24:46). A bênção não está simplesmente em esperar, mas em ser encontrado fazendo aquilo que o Senhor determinou. A igreja deve ser encontrada orando e trabalhando, vigiando e servindo, aguardando e testemunhando.
A Bíblia termina apontando para essa mesma esperança. Em Apocalipse 22:12, Jesus declara: “Eis que cedo venho, e o meu galardão está comigo.” E, no encerramento das Escrituras, encontramos novamente sua promessa: “Certamente cedo venho” (Apocalipse 22:20). Diante dessa declaração, a igreja responde com uma das mais belas expressões de esperança de toda a Bíblia: “Amém. Ora, vem, Senhor Jesus!”
A Bíblia começa apresentando Deus como Criador. A história humana é marcada pela entrada do pecado e suas consequências. Cristo vem ao mundo para realizar a obra da salvação. A igreja recebe a missão de anunciar o evangelho. E, finalmente, a história caminha para o cumprimento da promessa: “Eis que cedo venho.”
Portanto, a segunda vinda de Cristo não deve produzir apenas curiosidade sobre o futuro. Ela deve produzir santidade no presente, esperança em meio à dor, vigilância diante das tentações e compromisso com a missão.
A pergunta que permanece diante de cada cristão não é apenas “quando Jesus voltará?”, mas: “Se Ele voltasse hoje, como encontraria a minha vida?”
Ele nos encontraria em oração ou em negligência espiritual? Servindo ou acomodados? Evangelizando ou indiferentes? Firmes na fé ou afastados? Vigiando ou dormindo espiritualmente?
A resposta a essas perguntas revela o quanto a promessa da volta de Cristo realmente influencia nossa vida.
Ele voltará. Essa não é apenas uma mensagem sobre o futuro. É uma convocação para viver o presente de maneira diferente. É uma esperança para quem sofre, um chamado à vigilância para quem está acomodado e uma convocação à missão para toda a igreja.
Cristo prometeu que voltaria. E Ele cumprirá sua promessa.
Por isso, enquanto aguardamos, vivamos em santidade, sirvamos com fidelidade, anunciemos o evangelho e permaneçamos vigilantes.
E que a nossa vida e a nossa igreja possam responder à promessa do Senhor com as mesmas palavras do Apocalipse:
“Amém. Ora, vem, Senhor Jesus!”
Ademir Rodrigues
Pastor



0 Comentários